quarta-feira, 27 de maio de 2015

Liam

Até quando vai fugir de mim Liam? Sabe que precisamos conversar!"

Sentou-se perturbado no sofá com aquelas palavras martelando-lhe a mente, "Por que ela voltara?" "Haviam se passado tantos anos, o que havia de tão importante a ser dito?" Lembrava de cada contorno de seu corpo, do seu cheiro e do gosto do seu sexo. De cada noite insone entregues ao desejo, mas não esquecia de todas as humilhações públicas, de todas as máculas e tapas, odiava e amava na mesma medida e odiava-se por ainda ser tão abalado por sua presença quase nefasta. "Por que?"
Ela apareceu em um momento onde tudo estava prestes a ruir, sua irmã desaparecida, os pais mortos e a solidão como amiga, ele queria colo, ela queria braços, ele sonhava com amor, ela conquistava alianças e então, o destino cruzou aqueles dois caminhos.  Ela segurou sua mãe e o guiou em um novo e assustador mundo cheio de perigosas possibilidades. Sua entrada na organização passou por ela, seu trinamento e toda a preparação veio repleta de testes, muitas vezes dolorosos e crueis, mas sempre que a penetrava, sentia-se inteiro de novo e não importava o que acontecesse, quantas unhas suas fossem arrancadas ou quantas suas ela lhe aplicasse, desde que ela estivesse lá, ao seu lado, tudo faria sentido no fim. Ela prometera que ao fim do treinamento teriam uma casa, uma vida, um filho, e ele fez planos, sonhou e apostou sua vida naquela promessa. Chegou o dia, arrumou-se orgulhoso, dirigiu-se ao local mas ela não estava lá, em seu lugar um homem o esperava. "Judith precisou afastar-se, serei seu tutor" . Tentou contata-la diversas vezes, até que a encontrou em uma festa, ao seu lado, um novo aluno, ela o parabenizou, fria e distante, o coração já magoado foi destroçado. 10 anos se passaram e ele ainda recordada de cada fato, muitas vezes ela tentou contato, ele sempre fugiu, nunca sentia-se pronto para enfrenta-la. Respirou fundo e decidiu que seria aquele o momento de exorcizar aquele velho demônio, com as mãos trêmulas discou o número.

"Alô?"

A culpa

"Está feito!" Cristina proferiu aquelas palavras com mais sentimento do que gostaria.
"Já?" "Isso é otimo!" O homen do outro lado da linha parecia animado.
"Informarei seu progresso ao meu superior,espere novas instruções.

Cristina sentou-se a beira da janela fumando um cigarro. A noite fria e nevoada faziam-na sentir estranhamente confortável. Permaneceu em silêncio observando o moribundo cadáver que outrora fora seu marido.
-Gostaria de entender porque fez isso conosco. O amor é confiança querido, e você foi o mais sacana dos homens. Aceitaria que me traisse com qualquer vagabunda,de qualquer esquina, mas não pude suportar saber que tu vendeu meus sonhos e ideologias.
Explanava e desabafava sua dor com o infeliz cadáver, acendeu outro cigarro.
-Quem de nós é mais monstruoso? Eu matei você,mas entenda, eu não posso morrer! Eles não me deixaram escolha, eu seria presa como cúmplice dos teus crimes! Acha justo? Você sempre foi um filho da puta egoísta! Eu deveria matar você!
Cristina fita o defunto e gargalha.
-Eu já matei!
As gargalhadas seguidas de um choro copioso enchem o quarto. Sentou ao lado do defunto, o rosto banhado em lágrimas e as mão na cabeça. "Meu Deus" o que fiz?
-A culpa é sua! A culpa é toda sua! Eu vou matar você de novo!
Possuida de ódio,tomou a tesoura e passou a golpear violentamente o corpo, o sangue e fluídos  banhavam-lhe o corpo, Cristina afastou-se em prantos, acendeu mais um cigarro, seu ventre doia e o sangue da criança que abortara escorria abundantemente entre as pernas, fumou mais um e mais outro, acabaram-se os cigarros e ela permaneceu ali, imersa no próprio sangue, esperou a morte,ela não veio, Deus não poderia ser tão misericordioso.

A culpa

"Está feito!" Cristina proferiu aquelas palavras com mais sentimento do que gostaria.
"Já?" "Isso é otimo!" O homen do outro lado da linha parecia animado.
"Informarei seu progresso ao meu superior,espere novas instruções.

Cristina sentou-se a beira da janela fumando um cigarro. A noite fria e nevoada faziam-na sentir estranhamente confortável. Permaneceu em silêncio observando o moribundo cadáver que outrora fora seu marido.
-Gostaria de entender porque fez isso conosco. O amor é confiança querido, e você foi o mais sacana dos homens. Aceitaria que me traisse com qualquer vagabunda,de qualquer esquina, mas não pude suportar saber que tu vendeu meus sonhos e ideologias.
Explanava e desabafava sua dor com o infeliz cadáver, acendeu outro cigarro.
-Quem de nós é mais monstruoso? Eu matei você,mas entenda, eu não posso morrer! Eles não me deixaram escolha, eu seria presa como cúmplice dos teus crimes! Acha justo? Você sempre foi um filho da puta egoísta! Eu deveria matar você!
Cristina fita o defunto e gargalha.
-Eu já matei!
As gargalhadas seguidas de um choro copioso enchem o quarto. Sentou ao lado do defunto, o rosto banhado em lágrimas e as mão na cabeça. "Meu Deus" o que fiz?
-A culpa é sua! A culpa é toda sua! Eu vou matar você de novo!
Possuida de ódio,tomou a tesoura e passou a golpear violentamente o corpo, o sangue e fluídos  banhavam-lhe o corpo, Cristina afastou-se em prantos, acendeu mais um cigarro, seu ventre doia e o sangue da criança que abortara escorria abundantemente entre as pernas, fumou mais um e mais outro, acabaram-se os cigarros e ela permaneceu ali, imersa no próprio sangue, esperou a morte,ela não veio, Deus não poderia ser tão misericordioso.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Sem fim



     Já fazem anos e eu ainda me lembro, de cada beijo, de cada toque, sim, eu amei você em toda a plenitude. Mas você é barra pesada baby, você é aquele tipo de cara que destrói sua vida e ainda te faz querer mais. Seu jogo é muito perigoso e no fim, eu precisei escolher entre nós e eles, consegue entender? E eu que pensava que já perdera tudo descobri que  havia ainda mais a ser tirado. E assim eu dei Adeus ao nosso amor, aos sonhos e juras, o veneno foi bem medido e eu fiquei lá para escultar seu coração parar, eu vi seus olhos, seu pedido mudo de socorro, diante da morte Deuses, como você, se tornam meros coelhos acuados. Eu bebi uma taça de vinho e fumei um cigarro, dar Adeus fora mais doloroso do que imaginara, eu me tornei um monstro naquela noite e nunca mais vi meu rosto do mesmo jeito, nem meu corpo e nem meu útero com o teu fruto que afoguei, uma floresta do mal eu sou, poucos são os loucos que se aventuram em me descobrir.

O Adeus se repete
Sem fim, sem fim
morrer e acabar
sem fim, sem fim